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Aprender a Surfar - Iniciação ao Bodyboard

Aprender a Surfar - Iniciação ao Bodyboard

29 de Novembro de 2013 às 00h20

Desde o seu nascimento em 1971, pelas mãos de Tom Morey, o bodyboard tem vindo a evoluir em diversos aspectos. Seja na qualidade das ondas surfadas hoje, seja nas manobras ou a própria indústria que deu um salto qualitativo gigante.

Mas as manobras e a diversidade das mesmas é que caracterizam realmente o bodyboard, tornando-o num desporto extremamente radical.

Este é o tema que será abordado neste “manual” sobre as manobras no bodyboard. Tentarei cobrir o máximo possível as manobras conhecidas e algumas que poucos viram acontecer ou, sequer, ouviram falar.

Começando desde a areia, onde é feita uma preparação antes da entrada no mar, e terminando...quando as forças já te faltarem!

PREPARAÇÃO / WARM-UP

Antes de entrar no mar, tem de existir uma preparação física e técnica para o mesmo. Um bom aquecimento é indispensável, bem como uma prévia preparação do material de modo a retirar o melhor partido do mesmo quando te encontrares na água. Comecemos então pelo princípio:

WAXING

O Wax, ou parafina / cera, é utilizado em certas zonas da prancha de modo a permitir uma melhor estabilidade quando nos encontramos em cima dela. No fundo, para não escorregarmos ou segurarmos melhor a tábua. Existem duas coisas que deves saber de modo a aplicar o wax de forma correcta:

Que tipo de wax utilizar?
Existem dois tipos de wax que podem ser aplicados. Existe o wax para águas mais frias, que, por norma, é o mais indicado para as águas do nosso país Portugal e existe o wax para águas mais quentes, como é o caso do sul da Austrália. Esta escolha é importante para que possas tirar o máximo partido da sua função.

Em que zonas aplicar o wax?
Esta questão já fica ao critério de cada rider. Cada um utiliza o wax nas zonas da prancha que bem entender. No entanto, existem duas zonas onde, normalmente, os bodyboarders aplicam sempre o wax: nas extremidades onde são colocadas as mãos e no centro da prancha onde se encontra o nosso tronco.

REMADA / PADDLING

A elementar remada. No fundo, não há grandes dicas a dar em relação a este assunto. Colocas-te em cima da prancha e toca a remar até ao outside. Uma pequena nota se te estás a iniciar no bodyboard: não te limites a deitar na prancha, como quem se deita na cama, e começar a esbracejar até chegar ao objectivo. Nada disso. Deita-te na prancha de modo a que o teu tronco esteja suficientemente elevado. Quando estás nesta posição, ao remares com os pés, deves ser capaz de colocar os cotovelos na prancha e sentires-te confortável com a posição do tronco.

Não te esqueças, os cotovelos são para estar SEMPRE na prancha, e não fora dela. Tenta memorizar isto.

BICO-DE-PATO / DUCKDIVING

Este gesto técnico é importantíssimo. O bico-de-pato consiste em passar por baixo da onda quando esta está prestes a rebentar ou já rebentou à nossa frente. É importante que consigas um bom mergulho de modo a passar o mais tranquilo possível pela zona de "máquina de lavar". 

O movimento consiste em:

  1. Colocar as mãos um pouco acima do centro da prancha;
  2. Puxar a prancha na tua direcção até que o nose se encontre ao nível dos teus ombros, exercer pressão para baixo com os braços de modo a afundar o nose e, ao mesmo tempo, exercer pressão com o joelho no tail para que a prancha fique alinhada;
  3. A pressão exercida sobre a prancha terá de ser forte, de modo a que possas ir o mais fundo possível; nesta altura, a outra perna levantará de modo a ajudar ao movimento;
  4. Quando atingires o mais fundo possível, colocas o corpo paralelo à prancha de modo a diminuir a resistência o máximo possível;5 - Depois de passar a “bolha”, deixas-te subir com a prancha. Outra dica: se estiveres a remar de encontro à onda, atenta que, ao teres alguma velocidade devido à remada, será mais fácil passares pela onda, pois já levas algum balanço para o mergulho. Se estiveres parado, provavelmente, será mais complicado de passares, mas tudo depende da força que a onda irá exercer sobre ti e o timing do teu duck dive.

TAKE-OFF / DROP

Nesta altura, o set já está à vista. O teu coração já salta por tudo quanto é sítio ao avistares o set que tanto aguardavas.

O take-off é a entrada na onda. Mas cada onda tem o seu feitio e cada take-off varia em função desse factor, seja uma onda cavada fundo rocha ou uma onda fundo de areia que peça por uma remada mais forte.

Quando avistares o set, é necessário uma boa leitura da onda, de modo a colocares-te no local privilegiado para a conseguires apanhar. Quando te encontrares na zona certa, viras-te de costas para onda e remas até que sintas que esta te leva. Umas vezes é necessário remar com mais força, outras é a própria onda que te leva sem que remes muito. Para ajudar a apanhar a onda, há quem reme com um dos braços para ajudar à tarefa. Se a onda que vais dropar é esquerda, utilizas o braço direito para ajudar. Se for direita, utilizas o braço esquerdo. Quando sentires que a onda já te leva, o braço que utilizaste para remar, será colocado no rail que está do lado oposto à onda e um pouco acima do centro da prancha.

Se és novato, tem atenção a isto: entende que só te encontras na onda quando esta já é capaz de te levar sem que faças qualquer movimento. É frequente ver os newbies a colocarem-se em posição de drop (descer a onda) e a darem aos pés quando a onda se aproxima. Deste modo vai ser difícil conseguirem sequer apanhar a onda. Por isso, espera que a onda te leve e, depois sim, coloca-te em posição para fazeres um bom drop. Vê também que, ao remares com as pernas, deves exercer pressão com as duas mãos no nose, de maneira a que este aponte para baixo e te ajude ao take-off.

Outra sugestão: quando a onda se aproxima, podes inclinar-te para trás na prancha, fazendo com que esta se levante e fique com o slick virado para a praia. Depois, dás um impulso para a frente e remas. É um modo de ganhares balanço, um impulso extra para conseguires apanhar a onda.

Já agora, se vês que está complicado para se apanhar ondas porque estas chegam com pouca força para te levarem, podes optar por remar com os dois braços. Mas quando o fazes, certifica-te que colocas o queixo na prancha. Deste modo, a prancha não levanta, o que permite exercer pressão para baixo e não perderes força/velocidade para o take-off.

Para finalizar, o take-off determina o teu andamento na onda. Para ondas rápidas, é normal que o take-off seja realizado na direcção paralela à onda, em ondas mais lentas, o take-off é feito para a frente da onda. Encontrem o vosso ponto de equilíbrio nestes aspectos, e a prática fará a perfeição.

TRAVAR / STALL

O nome diz tudo. Travar consiste em reduzir a velocidade com que cortas a onda. Essa travagem é feita exercendo, com as pernas, pressão contra a parede da onda. É um movimento realizado com muita frequência, principalmente em ondas tubulares, de modo a atrasares o teu andamento para que possas encaixar dentro do tubo. Quando estiveres no ponto certo para voltar a acelerar, então, puxas o tronco para a frente da prancha de modo a estares deitado de um modo equilibrado na prancha e possas gerar velocidade.

Outro modo de travar é: elevando o nose e enterrando o tail com a ajuda das pernas. É tudo uma questão de instinto, para entenderes se pretendes travar muito ou pouco.

Bem, já estás na onda. Agora é hora de passar à acção. It’s show time! Continua a leitura no artigo As Manobras Básicas de Bodyboard.

Ricardo Miguel Vieira

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