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Entrevista com Nuno Sobrinho

Entrevista com Nuno Sobrinho

28 de Fevereiro de 2014 às 12h58

Nuno Sobrinho, Bodyboarder da Costa da Caparica conhecido pela sua linha de surf clean e radical, deixou Portugal em 2013 e partiu para aventura em terras Australianas.

2013 foi um ano de viragem para ti, deixaste Portugal e foste de malas e bagagens para a Australia, qual a razão que te levou a emigrar?
Na verdade fui apenas com uma mala e uma mochila, mais um saco com a prancha claro. Foram algumas as razões que me levaram a sair do país. Em 2007 estive nos EUA e tive oportunidade de emigrar. Por questões profissionais acabei por ficar em Portugal mas comecei a viajar mais sempre que podia e a conhecer outros continentes e culturas. Desde então que a vontade de querer viajar e abraçar uma nova experiência noutro país foi solidificando e tornando-se mais apetecível. Com a estagnação e, mais tarde, recuo da minha vida profissional, aliados à situação corrente económica e financeira do país que abria portas a um futuro com o qual não me identifico, tomei finalmente a decisão de rumar a um país diferente, em todos os sentidos.

Onde estás a viver?
Comecei por viver em Perth no estado de Western Australia quando cheguei. Neste momento encontro-me a viver nos Eastern Suburbs de Sydney. É a zona este da cidade de Sydney, junto à costa e que inclui alguns subúrbios bastante conhecidos como Bondi ou Coogee, por exemplo.

Como é viver na Australia?
A vida na Austrália é, de um modo geral, de elevada qualidade. Começando pelos ordenados pagos mais elevados, a qualidade dos serviços e infraestruturas disponibilizada, o civismo geral da comunidade australiana, um país com cidades, regiões e localidades muito interessantes de visitar ou mesmo viver e trabalhar e uma Natureza invejável e distinta de estado para estado. É facilmente visível no dia a dia a economia interna do país a funcionar, nomeadamente na restauração, hotelaria e retalho. No meu caso, que vim sozinho para uma cidade e um estado que desconhecia (já tinha estado na Austrália em 2009 mas apenas na costa este), comecei o que se pode dizer "praticamente do zero" em tudo. Pormenores como encontrar casa para viver, ter conhecimento dos transportes públicos, fazer amigos, estudar o mercado local profissional ou registar-me e saber onde ir no caso de uma emergência de saúde, por exemplo. No entanto, com tanta mudança e novas experiências, hoje posso afirmar que tem sido muito fácil e positivamente marcante viver na Austrália.

Como está a correr este novo desafio na tua vida? O que estás a fazer profissionalmente?
Diferente e calmamente desafiante. Diferente porque mudei radicalmente com a minha rotina diária em Portugal. Pessoalmente não gosto de rotinas e a que tinha já era uma rotina velha e sem incentivos. Desde que cheguei que não tenho rotina, cada dia é um dia diferente mas acho que também faz parte do processo de adaptação. Calmamente desafiante pois tento viver no presente, no agora, dia após dia, tentando não me deixar influenciar ou comandar por receios ou preocupações sobre o que o futuro me reserva.

Profissionalmente tenho trabalho na indústria de Hospitality, em diversas áreas e diversos cargos. Permite-me ter flexibilidade de horários e disponibilidade para viajar e conhecer outros locais.

Quando decidiste dar um rumo diferente à tua vida profissional, de que forma é que o facto de ser praticante de Bodyboard influenciou a escolha do teu destino?
Exactamente mesmo creio ter sido logo no início de 2012. O facto de ser bodyboarder não foi fundamental na escolha do país destino. No entanto, dentro do leque curto de opções, aproveitei e juntei o útil ao agradável, como se costuma dizer.

A mudança para um dos países onde se dá mais importância à vertente estética do Bodyboard, tem tido influencia na tua forma de surfar? Quais as principais diferenças e desafios que tens identificado?
Sem dúvida que tem influência. Sempre fui uma pessoa um pouco perfeccionista e aqui, em relação ao bodyboard, a coisa ainda se complicou mais, agora ainda tenho mais trabalho. O nível na água é, por vezes, altíssimo, o que faz dares muito mais de ti em termos técnicos dentro de água e acaba sempre por ter a sua vertente competitiva. Destaco duas diferenças que a mim me parecem ser flagrantes, a quantidade de ondas de qualidade para surfar e a quantidade de bodyboarders a surfar bem em ondas grandes e fundo de reef ou pedra, teoricamente, mais perigosas. Associo o meu desafio a esta última diferença. Surfar ondas maiores ou mais pesadas em fundo sem ser de areia era algo a que não estava habituado em Portugal e, desde que cá estou, tenho tentado desafiar-me a mim próprio nestas condições sempre que posso e a observar e aprender com amigos bodyboarders que tenho feito e que fazem "gato sapato" neste tipo de cenário.

Australia é um pais cheio de praias com altas ondas, quais as melhores ondas que já surfaste?
Em Western Australia, rabbits e 2 secret spots na zona de Margaret River, em Queensland South Straddie e The Spit, em New South Wales 1 secret spot na zona de Maroubra e, a rainha de todas e minha preferida, aussie pipe.

Sabemos que já aproveitaste a proximidade e voaste até à Indonésia. Mesmo para alguém que vive na Australia, o que é que a Indonésia ainda consegue acrescentar em termos de ondas?
Embora hajam ondas de igual qualidade na Australia, Indonésia acrescenta consistência, pois consegues ter vários dias seguidos de iguais ou similares condições, boa temperatura o ano inteiro, custo de vida baixo e o prazer de comer vários nasigorengs por dia, acompanhados de uma bintang ou água de côco. De acrescentar que a alegria e hospitalidade da comunidade indonésia é, na generalidade, genuína e contagiante.

Australia tem muitos talentos no Bodyboard, no teu dia a dia como Bodyboarder como defines o nível dentro de água dos comuns Aussies?
Depende dos locais para surfar. Creio que há de tudo, como em Portugal. No entanto, há determinadas regiões em que existe uma comunidade grande e forte de bodyboarders e em que o nível na água em determinados picos é alto e competitivo. Zonas como Margaret River e Mandurah em Western Australia, por exemplo, são zonas com muitos bodyboarders profissionais ou de alto nível.

Sabemos que fizeste amizade com alguns nomes sonantes do Bodyboard mundial! Qual é a sensação de partilhar o pico com o Ben Player ou o Ryan Hardy?
É óptimo e péssimo ao mesmo tempo. É incrível conhecer e surfar com bodyboarders que sempre tive oportunidade de acompanhar pelos media e, alguns deles, idolatrar desportivamente. Passar à realidade e poder partilhar o que mais gosto de fazer com esses bodyboarders e fazer amizade com alguns deles é algo difícil de descrever e inesquecível. Por outro lado, assistir de perto por exemplo à maturidade do Davis Blackwell, George Humphreys e Lewy Finnegan ou à classe do Ben Player num dia clássico em Aussie Pipe ou ao Dallas Singer aterrar à minha frente num reveirse gigante e perfeito faz-me pensar que ainda estou muito longe dos tais detalhes técnicos, o que acaba sempre por não ser uma boa sensação. Mas o importante e a lição que tiro é sempre positiva e, nesses dias, saio sempre da água com um sorriso na cara.

Estar longe das nossas origens não é fácil, do que sentes mais falta de Portugal?
Da minha família e dos meus amigos, sem dúvida.

Qual a onda que sentes mais saudade de surfar em Portugal?
Cova nos seus dias bons!

Quando tencionas regressar para Portugal?
Pergunta difícil... não há data de regresso por enquanto. O que pretendo agora é continuar na Austrália e desenvolver o processo de adaptação que estou a atravessar. Veremos o que o futuro reserva.

Há muitos jovens que talvez sintam a mesma necessidade de ir ao encontro do mundo como tu fizeste. Estando tu a viver essa experiência, que conselhos darias a alguém que esteja a pensar dar esse passo?
Quem pondera a hipótese de sair do país ou viajar durante um período de tempo, mesmo que seja ínfima, aconselho vivamente a tomar o próximo passo e a viajar. É uma experiência inesquecível, o maior investimento que podem fazer na vida sem dúvida. Há todo um mundo fora de Portugal desafiante, contagiante e cheio de oportunidades. Haverão muitos pontos de interrogação no início que com o tempo vão tendo a sua resposta. É preciso vontade e coragem, mas não em doses elevadas. Nos dias de hoje com a tecnologia e meios de transporte existentes, não há lugar algum que seja longe de Portugal. E sempre podem voltar a casa que a família e os amigos estarão à vossa espera, mas aí já voltarão diferentes e com valor acrescentado.

Algumas fotografias do lifestyle Australiano:

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