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Entrevista a Joaquim Bandeiras (Pai do Mauro Bandeiras)

Entrevista a Joaquim Bandeiras (Pai do Mauro Bandeiras)

30 de Janeiro de 2014 às 16h48

Joaquim Bandeiras fez parte da primeira geração de Bodyboard em Portugal e é também o Pai de Mauro Bandeiras, de 18 anos de idade. É um Bodyboarder e Pai de um Bodyboarder que atinge a maturidade no Bodyboard de competição, o primeiro de muitos da sua "espécie", dos muitos mais que se perspectivam, num futuro com muito Bodyboard.

Fomos conversar com o Joaquim Bandeiras, para perceber como é ser Pai de um Bodyboarder talentoso, algo que nos dias de hoje é raro, mas que nos próximos anos será mais frequente à medida que uma nova geração dá lugar à velha. Ser Pai é maravilhoso, ter um filho que acompanha o Pai, é ainda mais maravilhoso.

Na condição de Pai, o Joaquim influenciou o Mauro para se iniciar e fazer Bodyboard? Como é que tudo começou?
Na minha condição de pai sinto que houve uma certa influencia na forma como tudo começou, o Mauro foi o meu primeiro filho e sempre andei com o material “às costas”, e sempre que se ia para a praia pedia-me para fazer umas espumas no “barco”, na altura era como ele chamava à prancha, as coisas foram rolando e com cerca oito anos eu tive mesmo de arranjar maneira de comprar material melhor, visto que como todos os miúdos ou quase todos começasse com as pranchinhas de esferovite, a certa altura vejo que a situação requeria algo mais avançado e com o conhecimento na praia do actual treinador do Mauro, Bernardo Abreu desenvolveu-se a parte mais técnica e com isso a competição, o que até ao momento está a acontecer.

Que influência teve o Batata no percurso do Mauro Bandeiras? E o seu filho mais novo? Ele também vai seguir o Bodyboard?
A influencia do Batata no percurso do Mauro foi e é bastante emotiva, o Batata é um excelente amigo, como que da família se tratasse e também um dos mais críticos do que o Mauro já fez e faz, por isso este grande nome do Bodyboard Nacional está sempre inter-ligado connosco; em relação ao meu filho mais novo ele já desce umas ondas mas a sua praia é mais futebol, mas quem sabe um dia não se faz um bom Bodyboard

Claramente o Mauro está num nível ascendente e acredito que nos dias de hoje é mais difícil acompanhar o Mauro no mar. Qual é a vossa rotina?
Sem duvida alguma que o nível do Mauro actualmente é grande o que não o faz, nem deixa de pensar sempre em ser melhor e treinar ao mais alto nível, quando tudo começou fui eu que o iniciei e era bem fácil, afinal tinha menos 12 anos, agora como o surf dele é tentar sempre treinar num mar maior, eu já penso duas vezes, quando ele era novato, olhava eu por ele, agora muitas das vezes “levo” com ele a perguntar-me o que faço lá dentro, devido a estar um pouco agreste, e muitas das vezes quando isso acontece fico me pela observação. A rotina é ainda muito igual como quando se começou, eu vou fazer umas ondas ele vem comigo, mas com a idade dele, está autómato e vai muitas sozinho para o seu local de treinos e muitas vezes com os amigos para diversos “spots” como Ericeira, Peniche, Santa Cruz e Nazaré.

O Joaquim prefere apanhar ondas, ou em terra a ver o Mauro, ou a tirar fotos?
As duas coisas…quando estou lá dentro não consigo aperceber me do que lhe aconteceu e não dá para muitas vezes falarmos sobre o dia de ondas, quando está maior e vejo que posso estar a correr o risco, fico me pela observação, visto que é o próprio Mauro que muitas das vezes me procura para saber como foi esta ou aquela manobra e com isto melhorar.

Qualquer Pai tem sempre o sonho que o filho tenha os mesmos gostos. Sente aquela pontinha de orgulho?
Sem duvida alguma que sinto um orgulho imenso, estaria a mentir se dissesse o contrário.

Como Pai e conhecendo melhor do que ninguém o Mauro, como avalia o percurso do seu filho?
O percurso do Mauro como Bodyboard em primeiro lugar foi igual ao de outros que começam a descer as primeiras ondas, após um ano em que ele começa, reparasse que há ali algum potencial e um “GO FOR IT” diferente de muitos dos miúdos que estavam na praia, ele começa por ser um auto-didata e só com a entrada na Escola de Bodyboard Nova Onda é que se sente que o potencial estava a emergir, afinal não era só o ir de cabeça, havia muita coisa escondida e isso foi tirado pelos treinadores do Mauro na altura, entretanto vieram os primeiros Regionais onde ele se sentia muito bem, visto ser bastante competitivo também com a vida, após esses Regionais vieram os Campeonatos Nacionais, tanto Esperanças como o Open e até ao momento alguns Internacionais.

Consegue traçar em traços gerais as grandes conquistas do Mauro? E como gere as frustrações do Mauro? É fácil ser Pai de um Bodyboarder?
As grandes conquistas do Mauro como Bodyboarder foram sonhar e esses sonhos serem realizados, sempre me disse que havia de estar em muitas situações relacionadas com o Bodyboard, conseguiu integrar a Equipa Nacional de Bodyboard na Seleção em 2010; Venceu por duas vezes a Taça de Portugal; entrou em diversos Regionais; fez todos os Escalões do Campeonato Nacional de Bodyboard Esperanças; teve presente em Campeonatos Open; em 2012 foi considerado um dos 4 melhores atletas juniores de Portugal e este ano foi contemplado como convidado para o Sumol Nazaré Special Edition 2014. Em relação a saber gerir as frustrações do Mauro como Bodyboarder é difícil, porque quando se gosta não gostamos de ver alguém em baixo, sou o primeiro a dar-lhe pica mas ao mesmo tempo dizer-lhe para ter calma, um misto de emoções difíceis de explicar. É bastante fácil ser pai de um Bodyboarder porque muito do tema de conversa passa pelas ondas, as manobras, o mar; enfim um pouco de tudo relacionado com o desporto que se pratica.

O que espera do Mauro Bandeiras como Bodyboarder?
Espero do Mauro tudo, tem potencial, atitude e idade para continuar a sua evolução.

Por último, prefere um Mauro com um futuro "certinho" à secretária, ou um futuro cheiro de possibilidades como Bodyboarder?
Infelizmente em Portugal não há apoios suficientes para que se possa criar profissionais à séria, não estou obviamente a falar dos apoios técnicos porque felizmente o Mauro tem esses apoios, tal como apoios dos seus treinadores e família, quando digo isto são os apoios monetários para se poder voar mais e mais; é possível que com o passar do tempo o Mauro terá de pensar no seu futuro e mais uma vez infelizmente não sei o que o espera, mas certamente que gostaria de ver o Mauro agarrado a uma prancha e fazer vida do Bodyboard como profissional.

Abraços e continuem o vosso projeto.

Fotografias por Miguel Caparica / ShOOt Me

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